Sinais de Alerta: Como saber se o seu psicólogo está agindo da melhor forma
- Juliana Nazima
- 11 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de mar.
Relatos nas redes sociais sobre experiências negativas em psicoterapia têm se tornado frequentes. Embora existam diferentes estilos, como profissionais mais silenciosos ou mais participativos, o que realmente importa é a preservação da ética e do respeito à subjetividade. A psicoterapia é uma via de mão dupla, exige comprometimento e abertura, mas a responsabilidade de garantir um espaço seguro é, primordialmente, do profissional.
O consultório deve ser um caminho de acolhimento e construção de autonomia, livre de julgamentos morais. Se você sente que seu processo está se tornando um lugar de ajuste a normas, vale a pena observar estes cinco pontos fundamentais:

1. O reforço de papéis de gênero e família
A psicoterapia não serve para adaptar pessoas a normas sociais, mas para expandir as possibilidades de ser dentro do contexto em que você vive. O processo terapêutico deve questionar as pressões sociais que adoecem, em vez de reforçá-las.
A maternidade, por exemplo, é uma possibilidade na vida de uma mulher, mas não deve ser tratada como o único destino ou função de vida. Da mesma forma, um homem que expressa vulnerabilidade deve ser incentivado em sua flexibilidade emocional, e não pressionado a retomar a postura rígida de "provedor inabalável". Se a terapia sugere que você deve se anular para manter um modelo clássico de família, questione.
2. A superficialidade nas questões de raça e etnia
Nossas experiências raciais moldam como ocupamos o mundo. Ignorar isso na clínica é uma falha grave; é dever do psicólogo assumir uma postura antirracista e saber identificar e acolher situações de racismo ou que atravessem questões de raça.
Além disso, a terapia não deve reforçar estereótipos. Uma pessoa amarela não deve ser lida automaticamente como "intelectualizada" ou "reservada". Cada indivíduo traz uma história singular que atravessa sua etnia, mas que jamais se resume a expectativas culturais pré-moldadas.
3. O foco excessivo no diagnóstico
Manuais diagnósticos (como o CID ou DSM) servem para orientar o olhar clínico, mas não definem quem você é. Você não é o seu transtorno. Uma postura ética foca no seu sofrimento e nas suas possibilidades atuais, evitando que o rótulo (seja depressão, TDAH ou autismo) se torne mais importante do que a pessoa humana que está à frente do profissional.
4. A invasão da religião e espiritualidade
A espiritualidade pode ser vital para o paciente, mas a clínica é um espaço laico. O psicólogo pode ter suas crenças, mas deve separá-las estritamente do seu trabalho.
O profissional não deve usar dogmas, sugerir orações ou condicionar a cura à "fé". O papel da psicologia é acolher a sua relação com o sagrado (ou a ausência dele) sem nunca impor convicções pessoais ou discriminar escolhas religiosas.
5. A limitação do saber do profissional
Sessões de 50 minutos não dão ao psicólogo poder total sobre a sua vida. O profissional que se coloca como um "sabe-tudo", que oferece receitas prontas ou verdades absolutas, está agindo de forma equivocada.
A boa prática exige humildade: o verdadeiro especialista na sua própria vivência é você. O papel do psicólogo é caminhar junto, ajudando você a enxergar suas próprias ferramentas e caminhos com autonomia.

O caminho para uma terapia ética
A psicoterapia deve ser um encontro baseado no respeito mútuo. Suposições precipitadas e "dicas" milagrosas costumam ser obstáculos ao crescimento. Se você sente que seu espaço de fala está limitado por julgamentos, vale a pena repensar esse processo.
Uma terapia que ignora seu contexto social, de gênero e raça, não te enxerga integralmente. Se você busca um espaço livre de julgamentos para se expressar em toda a sua complexidade, agende uma sessão. Estou aqui para caminharmos juntos.

