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O que eu preciso saber para ter um hobby? (E por que ele pode ser o antídoto contra o "scroll" infinito)

  • Foto do escritor: Juliana Nazima
    Juliana Nazima
  • 11 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de mar.



Visão em primeira pessoa de mãos moldando uma pequena flor de cerâmica sobre uma bancada de madeira. Ao fundo, prateleiras com cerâmicas artesanais, suculentas e uma caneca, criando um ambiente de ateliê acolhedor. A cena ilustra o conceito de hobby como um exercício de paciência e presença, funcionando como um antídoto ao estresse do mundo digital.

Ter um hobby tem sido cada vez mais difundido como fundamental para a saúde mental. Se você já percebeu que passar horas rolando o feed do Instagram não te descansa, mas, pelo contrário, te deixa com a sensação de que está “derretendo o cérebro”, você sabe do que estou falando.

Existe uma magia em transformar materiais com as próprias mãos. Seja ao modelar cerâmica, tecer um cachecol ou cozinhar um prato bem temperado, o estado de presença que o processo exige é tão valioso quanto o resultado final. Mas começar nem sempre é simples. Muitas vezes, a empolgação inicial esbarra na primeira dificuldade e o projeto vai para o fundo da gaveta. Para que esse processo seja mais leve, aqui vão algumas reflexões:


1. A perfeição é superestimada: vamos só tentar?

Entendo a vontade de que tudo saia impecável de primeira. Mas aceitar que, invariavelmente, o que você fizer terá defeitos, é libertador. O ceramista experiente quebra peças; a cozinheira de mão cheia já salgou o arroz. Errar é a única forma de aprender.

O hobby manual nos devolve a importância da repetição. Lembra de quando você aprendeu a escrever? Antes da sua "letra de adulto", você preencheu cadernos de caligrafia. Era repetitivo, mas foi ali que sua mão ganhou confiança. Repetir é o caminho para aprender a técnica e, principalmente, para ser mais gentil com a própria falha.


2. Tudo bem começar pelo fácil

Acreditar que alguns nascem com o "dom" é desconsiderar o trabalho invisível que aprender exige. Muitas vezes, as referências incríveis que vemos escondem anos de treino e erros.

Reconhecer que pequenos passos não deixam de ser passos é essencial. Comece com um projeto simples e rápido. No início, o que importa não é a complexidade, mas entender como o material se comporta e como você se sente ao manuseá-lo.


Vista superior de uma mesa de madeira organizada com diversos trabalhos manuais em andamento. No centro, um bastidor de bordado com flores coloridas; ao redor, amostras de crochê em tons de azul e amarelo, agulhas, novelos de lã, tesoura vintage e uma lata antiga com meadas de linha. A imagem ilustra a beleza do fazer manual e a paciência necessária no aprendizado de um novo hobby para o bem-estar mental.

3. Cuidado com a "gourmetização" do lazer

Aqui entra um ponto crucial: seu hobby não precisa ser um plano de negócios. Hoje, existe uma pressão invisível para que tudo vire "segunda renda" ou conteúdo para redes sociais.

Está tudo bem o foco ser na "inutilidade" produtiva. Quando pensamos em lucro ou curtidas, o erro deixa de ser aprendizado e vira culpa. Para o hobby ser terapêutico, ele precisa ter o direito de ser mercadologicamente inútil, mas emocionalmente valioso.


4. O compartilhamento e a armadilha do palco

As redes sociais distorcem o que é humano (e que tem falhas!) ao nos forçarem a postar apenas o resultado perfeito. O fazer manual, contudo, é um processo "sujo", lento e cheio de tentativas frustradas.

Sua arte não precisa de likes para ser válida. O termômetro do prazer deve ser o toque na argila ou entender como funciona um ponto no crochê, e não o número de notificações no celular. Se quiser compartilhar, tudo bem, mas não transforme seu momento de respiro em um palco para julgamentos.


5. Nem todo mundo tem as mesmas 24 horas

Ouvimos muito que 'o tempo é uma questão de prioridade', mas para quem enfrenta horas de transporte público ou duplas jornadas de cuidado, o tempo é, na verdade, um luxo. É impossível falar de lazer sem falar de realidade social. Não se cobre um desempenho de quem vive do artesanato se o seu hobby é o seu único momento de respiro entre as obrigações. Suas comparações precisam ser realistas para que o hobby não vire mais uma tarefa na sua lista de cobranças.

Fotografia de uma mulher jovem de cabelos cacheados sentada em um ônibus em movimento à noite. Ela usa um cachecol mostarda e está concentrada fazendo crochê com linha verde clara, enquanto observa a paisagem urbana chuvosa e borrada pela janela. A imagem ilustra a busca por momentos de respiro e presença em meio à jornada diária e às complexidades do tempo urbano.


É terapêutico, mas não é terapia

Ter um hobby é um treino e resgate à paciência, à atenção plena e à tolerância à frustração. Aprender a errar em um pedaço de argila ou em um bordado é um passo enorme, mas entender por que o erro te assusta tanto é um processo profundo que acontece em terapia. Se você busca um acompanhamento que respeite seu tempo e sua história, te convido para um encontro.

 
 

© 2026 por Juliana Muniz Nazima (CRP 06/144663)
 

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